
Vivemos tempos extraordinários. Antigamente, temíamos guerras, pandemias ou mesmo o fim do planeta. Hoje, o verdadeiro apocalipse tem outro nome: lives de NPCs no TikTok.
Sim, senhoras e senhores, jovens que antes sonhavam ser astronautas, médicos ou até youtubers agora ambicionam algo maior: fingir ser personagens de videojogos com tiques repetitivos em direto para milhões de pessoas, enquanto recebem “rosas digitais” e sussurram “ice cream, so yummy!” como se isso fosse a nova filosofia de vida. Platão revirou-se na caverna.
É comovente ver um ser humano — dotado de polegares opositores, raciocínio abstrato e acesso à Wikipédia — passar horas a dizer "bang bang" porque um estranho lhe mandou um emoji de pistola virtual. Isto, meus caros, é a evolução ao contrário. Darwin olha-nos, desapontado, do além.
Não me interpretem mal: cada um faz da vida o que quiser. Mas quando a nova forma de ganhar dinheiro é fingir que se é um robô mal programado com problemas de loop, talvez seja hora de nos perguntarmos: isto é entretenimento ou um pedido coletivo de socorro?
Enquanto isso, vamos continuar a partilhar, a comentar e — claro — a doar moedas. Porque nada diz “estou bem psicologicamente” como pagar para ver alguém dizer "corre corre, balãozinho" 137 vezes por minuto.
Parabéns, internet. Superaste-te outra vez.
Imagem: Pixabay
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