
No frágil equilíbrio do mundo, há pequenas criaturas que sustentam engrenagens gigantescas. As abelhas, com o seu voo humilde e incansável, são jardineiras do planeta, tecendo pontes invisíveis entre flores e frutos, entre vida e continuidade. Enquanto zumbem em redor das pétalas, parecem dançar ao som de uma música ancestral que só elas compreendem — uma sinfonia de sobrevivência, beleza e urgência.
O seu trabalho é silencioso, mas essencial. São elas que fecundam os campos, que garantem que os pomares floresçam, que os alimentos cheguem à mesa. Uma única abelha, ao visitar centenas de flores por dia, realiza uma tarefa que parece banal, mas que alimenta ecossistemas inteiros. E o que fazemos nós em troca? Envenenamos o ar, destruímos os habitats, esquecemos que, sem elas, o prato humano ficará vazio… e o mundo, estéril.
Há um silêncio que cresce. Um silêncio feito da ausência do zumbido, do abandono das colmeias, do colapso invisível de algo que julgávamos eterno. Será que compreendemos o que está em risco com o seu desaparecimento? Quando a última abelha cair, quem irá polinizar os sonhos da Terra? Os drones? As mãos humanas? A natureza não se substitui por capricho. A cada colmeia silenciada, morre um pouco da esperança. E com ela, uma parte de nós.
As abelhas são como operárias da luz: pequenas, organizadas, resilientes. Ensinam-nos sobre comunidade, sacrifício e propósito. Trabalham não para si, mas para o todo. Que outro ser tão pequeno realiza uma obra tão grandiosa? Talvez devêssemos olhar para elas com mais reverência. Imitar-lhes a dedicação. Cuidar do mundo como elas cuidam das flores.
E se as abelhas forem, no fundo, um espelho do que fomos e deixámos de ser? O seu desaparecimento não é apenas uma tragédia ecológica. É um grito abafado, uma contagem decrescente. E talvez, quando o último zumbido cessar, não reste mais ninguém para ouvir o lamento da Terra.
Imagem: Pixabay
0 Comentários
Muito obrigado pelo seu comentário.