Há lugares que não são apenas geografia; são refúgios

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Há dias em que o mundo pesa mais. Não por algo em particular, mas por tudo em geral — o ruído, as pressas, as máscaras. Dias em que não queremos explicações nem companhia, apenas o silêncio que nos devolve a nós mesmos. Nessas alturas, há lugares que não são apenas geografia; são refúgios. O miradouro de Sebolido, em Penafiel, é um desses santuários secretos.

Ali, o Douro serpenteia em baixo como se acariciasse as margens com ternura antiga, e o horizonte parece abrir-se num abraço mudo. A brisa é leve, quase um sussurro, e o silêncio não é ausência de som, mas presença de paz. Sentado ali, entre o céu e o vale, tudo o que inquieta se dissolve — o passado perde peso, o futuro acalma, e o presente torna-se pleno.

Não é solidão. É reencontro. Um momento em que se escuta o coração bater sem pressa, em que os pensamentos fluem como o rio: livres, serenos, sem censura. A natureza não faz perguntas; apenas acolhe. E há uma beleza tão pura naquele cenário que chega a doer de tão perfeita — mas é uma dor boa, que cura.

O miradouro de Sebolido não é apenas um lugar. É um estado de espírito. Um regresso a casa dentro de nós.

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