Cântico para a ausência

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Mãe, há um vazio no tempo desde que partiste, um silêncio onde antes se ouvia a tua voz. O mundo seguiu em frente, mas dentro de mim há um relógio parado, um segundo eterno no momento em que partiste.

Lembro-me das tuas mãos, que tantas vezes seguraram as minhas, como quem segura o vento, como quem segura um destino que não quer soltar. Lembro-me do calor do teu abraço, do perfume que se espalhava pela casa, tornando cada canto um refúgio, um abrigo. Agora, o perfume desvanecido é uma ausência tatuada nas paredes, uma saudade que se deita comigo todas as noites.

Pergunto-me para onde foste, se há céu que te guarde, se há estrelas que conhecem o teu nome. E, às vezes, no silêncio da madrugada, quase te ouço – um murmulhar no vento, um carinho invisível na pele, um sonho onde ainda existes inteira.

O tempo tenta apagar-te, mas eu não deixo. Trago-te comigo em cada gesto, em cada palavra que aprendi contigo, em cada sorriso que dou, mesmo quando a saudade pesa. Tu foste amor sem medida, e esse amor ainda vive, ainda arde dentro de mim.

Se me escutas, onde quer que estejas, saberás que nunca te direi adeus. Porque o amor verdadeiro não se despede. Apenas espera.

 

Este texto foi selecionado para integrar a Antologia  "Minha Mãe - Volume II", da Chiado books.

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