HĂĄ amizades que chegam de mansinho, como um dia ensolarado depois de semanas de tempestade. Começam com uma conversa despretensiosa, um olhar cĂșmplice ou uma gargalhada partilhada, e antes que percebamos, tornam-se parte de nĂłs. NĂŁo sĂŁo laços de sangue que as unem, mas algo mais forte e difĂcil de explicar: uma escolha mĂștua, uma espĂ©cie de encontro inevitĂĄvel entre almas que se reconhecem.
Com o tempo, essas amizades deixam de ser visitas na nossa vida e tornam-se casa. SĂŁo elas que seguram a nossa mĂŁo nos dias mais difĂceis, que nos acolhem quando a famĂlia original nos falha ou simplesmente nĂŁo entende. SĂŁo aquelas pessoas que conhecem os nossos defeitos mais profundos, mas permanecem, porque aprenderam a amar nĂŁo apesar deles, mas por causa deles.
E Ă© curioso como o tempo nĂŁo desgasta essas relaçÔes, mas as fortalece. Elas sobrevivem Ă s distĂąncias geogrĂĄficas, Ă s rotinas e atĂ© mesmo aos silĂȘncios prolongados. Quando nos reencontramos, Ă© como se o intervalo nunca tivesse existido.
Essas amizades tornam-se famĂlia de coração. SĂŁo elas que escolhem estar presentes, que carregam o peso das nossas dores como se fossem suas, que celebram as nossas vitĂłrias com mais entusiasmo do que nĂłs prĂłprios. NĂŁo hĂĄ formalidade, nĂŁo hĂĄ cobranças: sĂł um amor construĂdo no dia a dia, mais resistente que qualquer obrigação imposta pelos laços de parentesco.
No fim, percebemos que a verdadeira famĂlia nĂŁo Ă© apenas aquela em que nascemos, mas tambĂ©m aquela que encontramos pelo caminho. E que sorte a nossa, poder escolher e ser escolhido, criando raĂzes que o tempo jamais consegue arrancar.
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