Esperamos pela reforma para viajar, pelo fim de semana para descansar, pelo momento ideal para dizer o que sentimos. Vivemos como se o presente fosse apenas uma sala de espera desconfortável, um obstáculo a ultrapassar até que a vida "verdadeira" finalmente comece.
Mas enquanto adiamos o essencial para um futuro que nunca chega, o tempo, essa entidade omnipresente e implacável, que não aceita subornos nem negociações, vai escorrendo entre os dedos.
A ilusão de que teremos sempre um amanhã para corrigir o hoje é talvez a maior armadilha da nossa existência.
Pergunto-me quantas conversas decisivas ficaram por ter porque o dia correu depressa demais, ou quantos abraços foram poupados para uma ocasião especial que nunca constou do calendário.
Presos pela rotina e pela falsa segurança dos planos a longo prazo, esquecemo-nos de que o relógio não anda para trás.
O "momento certo" é uma invenção da nossa cobardia, uma desculpa elegante para não enfrentar a urgência do agora.
Afinal, o que nos impede de viver hoje o que adiamos para um amanhã incerto?
A sabedoria não está em acumular planos, mas em desarmar essa expetativa constante do futuro.
A vida não acontece no destino, mas no pó da estrada, no café quente que arrefere na mesa enquanto nos distraímos, no olhar de quem caminha connosco.
O tempo certo nunca chega porque ele já cá está; é este segundo fugaz, imperfeito e irrepetível que temos nas mãos.
Imagem: Pixabay

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