Entre o silêncio e o fim

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Dizem que pôr termo à própria vida é um ato de covardia. Outros sussurram que é coragem — coragem de enfrentar o desconhecido, de virar as costas a um mundo que pesa demais. Mas talvez não seja nem uma coisa nem outra. Talvez seja apenas o grito silencioso de alguém que já não encontra chão onde pousar.

A verdade é que viver exige muito mais bravura do que morrer. Viver é acordar todos os dias com o coração em ruínas e, ainda assim, tentar juntar os estilhaços. É caminhar pelo nevoeiro sem garantias, sem mapas, sem certezas. É suportar a dor, mesmo quando ela parece maior do que nós.

Viver — mesmo ferido, mesmo perdido — é o ato mais corajoso que um ser humano pode realizar. E é nele que reside a beleza maior: a possibilidade de que, amanhã, a sombra seja menos densa e o mundo volte a caber no peito.

Quem pensa no fim não é fraco — é humano. Carrega feridas invisíveis, tempestades internas, medos que não cabem em palavras. Mas o que realmente importa é o momento em que uma pequena luz aparece: um gesto, uma mão estendida, uma voz que diz “fica”. Nesse instante, o abismo não desaparece, mas recua um passo. E essa escolha — a de ficar, mesmo ferido — é a forma mais nobre de coragem que existe.

 

Imagem: Pixabay

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