Tempo e silêncio

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Para todos os males há dois remédios, o tempo e o silêncio — diz-se, e hoje, mais do que nunca, esta verdade parece lembrar com uma urgência subtil.

Vivemos rodeados de ruído: notificações, opiniões, julgamentos instantâneos. O mundo exige respostas imediatas, posições firmes, palavras a jorro — como se o falar curasse, como se o gritar resolvesse. Mas há dores que não se debatem, apenas se escutam em silêncio, como se o próprio sofrimento exigisse recolhimento para ser entendido. O silêncio, nestes tempos de excesso, é um ato de coragem. Não é omissão, mas maturação. É nele que a ferida encontra o espaço para respirar.

E o tempo, esse velho escultor paciente, ensina que nenhuma dor é eterna no mesmo formato. O que hoje é abismo, amanhã será lembrança. Não porque o tempo apaga, mas porque transforma. Ele não cura como quem apaga um erro, mas como quem resinifica a paisagem após a tempestade. No tempo, aprende-se que algumas respostas não vêm de fora, nem de agora — vêm depois, e de dentro.

Assim, entre o silêncio que resguarda e o tempo que amadurece, os males da vida perdem a sua tirania. Não desaparecem, mas tornam-se suportáveis. E, com sorte, tornam-se ensinamento.

 

Imagem: Pixabay

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