
Escrever um livro é colocar o coração num envelope sem destinatário, e lançá-lo ao mar imenso das estantes e dos ecrãs. Talvez alguém, um dia, o encontre — e o leia com os olhos de quem precisa daquela verdade, daquela fantasia, daquela dor ou ternura. E nesse instante silencioso, entre o virar de uma página e o susto de uma frase certeira, duas almas que nunca se viram tocam-se.
Para quem lê, um livro é abrigo e aventura. É casa e estrada. Pode ser um lugar onde se encontra consolo, ou um espelho onde se descobre uma ferida. Pode ser riso solto ou choro contido, nostalgia ou esperança. Um livro transforma, porque nos permite viver outras vidas sem deixar a nossa, morrer e renascer sem sair do lugar.
No fundo, um livro é um pacto secreto entre quem ousou sentir profundamente e quem, ao ler, se permite sentir também. É a ponte entre a solidão do autor e a intimidade do leitor. E nesse breve milagre de papel ou de ecrã, o mundo torna-se menos vasto, e a humanidade, mais próxima.
0 Comentários
Muito obrigado pelo seu comentário.