Educação vs Formação

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Vivemos num tempo curioso em que se aplaudem diplomas como troféus e se promovem formações como se fossem varinhas mágicas da competência absoluta. Não me entendam mal: a formação é essencial. Ensina-nos a operar máquinas, a interpretar legislação, a aplicar fórmulas e a resolver problemas técnicos com eficiência. É o que nos prepara para o mercado de trabalho e nos permite crescer profissionalmente. Mas há algo anterior, mais discreto e profundamente mais relevante: a educação.

A educação — essa que se aprende em casa, entre um “bom dia” bem dito e um “desculpa” bem sentido — não se adquire em salas de aula, nem se valida com certificados. Ela começa ao colo da mãe, nas observações do pai, no exemplo dos avós. É no seio da família que se molda o caráter, se aprende o respeito pelo outro, a empatia, o civismo e até a humildade. A escola pode ensinar a teoria da relatividade, mas dificilmente ensina a relativizar o próprio umbigo. Para isso, é preciso ter aprendido antes a ser gente.

Infelizmente, confundem-se muitas vezes os dois conceitos. Há quem acredite que um jovem com notas exemplares e três línguas no currículo está “muito bem educado”, quando na verdade apenas está bem formado. A educação, essa, revela-se nos pequenos gestos: no modo como se trata o próximo, na forma como se espera pela vez, no tom com que se discorda, no respeito pelas regras mais básicas da convivência.

Portugal — como tantos outros países — investe milhões em formação. E bem. Mas parece esquecer que a educação não se resolve com planos de estudo nem com manuais. Ela nasce no lar, alimenta-se do exemplo e cresce com a repetição diária do que é certo. Quando falta, nem a melhor escola consegue colmatar o vazio.

Talvez seja hora de reconhecermos que formar é papel da escola, mas educar... educar começa em casa. E, sem essa base, toda a formação do mundo não passará de uma construção bonita sobre alicerces de areia.

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