Simplificar o complexo ou complexificar o simples?

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Vivemos tempos de urgência. Tudo deve ser rápido, direto, digerido em poucas palavras. Aplaude-se quem "simplifica o complexo", como se tal proeza fosse sempre virtuosa. Mas será que, ao fazê-lo, não perdemos a essência, os matizes, os detalhes que dão sentido ao mundo?

Simplificar pode ser útil — até necessário. Facilita a comunicação, promove o entendimento, dá-nos uma sensação de domínio. Mas e se essa simplificação for, na verdade, uma redução enganosa? Quantas ideias se tornaram dogmas por terem sido demasiado resumidas? Quantas decisões erradas foram tomadas porque alguém quis "resumir o problema"?

Talvez devêssemos perguntar o inverso: e se o verdadeiro desafio for aprender a complexificar o simples? Ver a teia onde antes víamos apenas um fio. Questionar o óbvio, mergulhar onde todos se limitam a molhar os pés. Nem tudo cabe num tweet. Nem tudo deve caber.

Será o mundo simples que se complica, ou complexo que se disfarça de simples?

Talvez a resposta esteja no equilíbrio — ou talvez a pergunta esteja mal feita.

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