
O passado é um velho casarão em ruínas, onde as paredes guardam segredos de tudo o que fomos. Há ali memórias inscritas como musgo nas pedras, algumas suaves como a luz filtrada por vidraças empoeiradas, outras afiadas como pregos esquecidos no soalho apodrecido.
É um lugar que nos convida a entrar, mas onde não podemos morar. Cada sala contém um acervo de escolhas feitas, de palavras ditas ou caladas, de caminhos trilhados ou evitados. Podemos passear por esses corredores, tocar nos objetos da recordação, sentir o peso do que fomos. Mas se nos demoramos demais, tornamo-nos sombras, presos num tempo que já não nos pertence.
A vida, no entanto, acontece na casa que ainda estamos a construir. As fundações podem ter sido lançadas ontem, mas é hoje que escolhemos cada tijolo. Se ficarmos a contemplar eternamente as ruínas, perderemos a oportunidade de erguer algo novo. O passado ensina, mas o presente constrói.
Entretanto, o futuro aguarda-nos na porta entreaberta.
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