O tempo em infusão

 

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O vapor dança no ar, carregando o perfume das folhas que desabrocham em calor. O tempo dobra-se sobre a chávena, e cada gota que se infiltra na água é um sussurro antigo, um segredo murmurado pela terra.

Fazer chá é domesticar o instante: a pausa entre o fervor da ebulição e o descanso da infusão. É um ritual de espera, onde o mundo se cala para que os sentidos despertem. O aroma preenche o espaço, a cor dissolve-se em ouro, âmbar, jade — pequenos milagres que se revelam sob a superfície.

Beber chá é tocar o efémero. O primeiro gole aquece por dentro, um abraço líquido que acalma e desperta. O amargor subtil, a doçura escondida, o calor que desce lento — tudo convida à contemplação. Entre um gole e outro, a vida desacelera. E, por um breve momento, nada mais importa além do instante que se dissolve na chávena.

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