Há lobos que aprenderam cedo a arte do disfarce. Vestem pele de cordeiro não por medo do frio, mas por estratégia. Sorriem fácil, oferecem ajuda com a mesma mão que afia a lâmina. 
Esses lobos não atacam por fome, atacam por ambição. Alimentam-se de silêncios convenientes, de rumores soprados com cuidado, de pequenas traições que, somadas, constroem uma escada. Para eles, a amizade é apenas um contrato temporário, válido até surgir uma oportunidade melhor. 
O mais cruel é que não escolhem inimigos: escolhem proximidade. Sabem que ferir um estranho dá pouco retorno, mas ferir um amigo rende espaço, crédito e ascensão. Justificam-se com palavras modernas — mérito, sobrevivência, jogo corporativo — como se a ética fosse um luxo incompatível com o sucesso. 
No fim, chegam mais alto, sim. Mas chegam sozinhos, cercados por ecos e desconfiança. Porque quem sobe pisando os outros aprende tarde demais que o topo é um lugar frio, e que a pele de cordeiro, um dia, apodrece e cai, revelando aquilo que sempre esteve por baixo.

Imagem: Pixabay

Enviar um comentário

0 Comentários